Comunidade internacional condena ataque israelense à frota humanitária
31/05/2010 - Comunidade internacional condena ataque israelense à frota humanitária

Reação internacional vê ataque como desproporcional e exige respostas de Israel

 

Diversos países e Organizações Internacionais condenaram nesta segunda-feira, 31, o ataque israelense a uma frota pró-Palestina de ajuda humanitária. Até o momento, os Estados Unidos não se posicionaram.

Europa

O ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, condenou o ataque israelense à missão humanitária que se dirigia à Faixa de Gaza, deixando pelo menos 19 mortos, segundo a televisão israelense.

Para Kouchner, "nada" justifica o uso de tal violência.

Após declarar-se "profundamente" horrorizado pelas trágicas consequências da operação militar israelense contra a "Frota da Liberdade", o chefe da diplomacia francesa expressou condolências às famílias e amigos das vítimas.

"Não entendemos o balanço humano, ainda provisório, dessa operação contra uma iniciativa humanitária conhecida há vários dias", acrescentou.

Kouchner pediu que sejam esclarecidas as circunstâncias deste drama e se mostrou favorável à abertura "sem demora" de uma investigação detalhada sobre o assunto. "Tomaremos todas as medidas necessárias para evitar que esta tragédia provoque novas escaladas de violência" na região, concluiu.

A Alemanha considera o ataque israelense como sendo "a primeira vista", de caráter "desproporcional", afirmou Ulrich Wilhelm, porta-voz do governo alemão, que raramente dirige críticas à Israel.

"Os governos alemães sempre reconheceram o direito de Israel a defender-se, mas esse direito deve dar-se em marco de uma resposta proporcional", disse Wilhelm em uma conferência de imprensa.

O Parlamente Europeu fez coro às reações da França e da Alemanha e condenou o ataque. A Espanha ainda aguarda informações sobre espanhóis que se encontravam na embarcação no momento do ataque.

Mundo Islâmico

 

Já a Organização da Conferência Islâmica (OCI) "condenou energicamente" hoje o ataque do Exército israelense à "Frota da Liberdade".

"Condenamos energicamente o ataque israelense aos navios que transportavam ajuda humanitária para Gaza, que demonstra mais uma vez como Israel ignora a lei internacional e as decisões das Nações Unidas", assinalou o embaixador paquistanês perante a ONU em Genebra, Zamir Akram, em nome da OCI.

Akram solicitou "a imediata libertação" de todos os navios que compunham a frota, e anunciou que a OCI está reunida neste momento para decidir que ações deverão ser tomadas como consequência do ataque israelense.

Na vizinha Jordânia, cerca de 2 mil pessoas protestaram em Amã para condenar o ataque israelense à frota com missão humanitária. Pelo menos 24 jordanianos estavam a bordo da expedição, entre eles conhecidos políticos e sindicalistas do país.

Os manifestantes, entre o quais havia dirigentes de sindicatos e partidos da oposição, políticos independentes e ativistas, pediram a expulsão do embaixador israelense de Amã e a denúncia do tratado de paz assinado entre Jordânia e Israel em 1994.

Em outras capitais árabes, como Cairo e Beirute, também houve manifestações de protesto.

O Governo do Paquistão qualificou como "brutal e desumano" o ataque à frota humanitária.

"O Governo do Paquistão está seriamente preocupado sobre o bem-estar e o paradeiro dos cidadãos paquistaneses e jornalistas que estavam a bordo da frota com destino a Gaza", afirmou em comunicado o Ministério de Exteriores paquistanês, segundo o qual o ocorrido é uma "flagrante violação" do direito internacional.

ONU e Vaticano

A Alta comissária para os Direitos Humanos das Nações Unidas, Navi Pillay, juntamente com o secretário geral da organização, se mostram comovidos por causa do ataque israelense.

Em seu discurso na abertura da 14ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Pillay disse estar "comovida" com as informações do ataque, que provocou "mortos e feridos". Pillay, além disso, destacou seu "profunda preocupação" com as ordens militares recentemente impostas em Israel em relação a Gaza.

"Na Faixa de Gaza, o bloqueio continua menosprezando diariamente os direitos humanos de seus cidadãos. Houve muitos poucos avanços na quantidade de produtos que se permite entrar na região. A situação atual está longe de permitir que os cidadãos de Gaza levem uma vida normal e digna", acrescentou a Alta comissária.

Pillay também reiterou sua condenação ao lançamento de mísseis de Gaza a Israel.

O Vaticano expressou sua "grande preocupação" e "dor" pelo ataque israelense.

"Se trata de um acontecimento muito doloroso, em particular pela perda inútil de vidas humanas. A situação é seguida pela Vaticano com grande "apreensão e preocupação", afirmou o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.