Depois de seis mortes na capital, Tailândia amplia toque de recolher
19/05/2010 - Depois de seis mortes na capital, Tailândia amplia toque de recolher

Medida agora vale para 21 províncias, informou o governo pela TV.
Situação ainda é tensa em Bangcoc após reações de oposicionistas.

 

O governo da Tailândia estendeu o toque de recolher para 21 das 76 províncias do país nesta quarta-feira (18), depois que um confronto entre tropas governamentais e militantes oposicionistas deixou ao menos 6 mortos.

O anúncio foi feito pela TV, que está sob intervenção do governo. Ele deve valer entre 20h desta quarta e 6h de quinta.

Segundo o governo, além da capital, houve confrontos e protestos em pelo menos sete províncias. Prefeituras foram atacadas em três cidades.

Seis pessoas já morreram e 58 ficaram feridas na operação do Exército  para desalojar manifestantes oposicionistas em Bangcoc, segundo balanço divulgado pelos serviços de emergência.

Grupos ligados aos "camisas vermelhas", de oposição ao governo, incendiaram o edifício da Bolsa de Valores de Bangcoc e atacaram o prédio do "Canal 3" da televisão estatal.

Os ataques aconteceram em represália à operação do Exército para desmontar acampamento dos manifestentes no distrito financeiro, no centro da capital. Entre os mortos, haveria um jornalista italiano. Outro jornalista, de nacionalidade não confirmada, estaria entre os feridos.

Há pelo menos 20 predios incendiados na capital, segundo os bombeiros.

O porta-voz do governo, Panitan Wattanayagorn, afirmou que a operação do Exército permitiu às autoridades retomar o controle de dois bairros-chave, a zona de Rajaprasong e o distrito de Lumpini que os manifestantes ocupaban desde hacía seis semanas.

"Ao fim da operação, o governo retomou o controle de Rajaprasong e Lumpini, mas existem várias zonas nas quais as operações devem prosseguir", afirmou Panitan.

"O governo pede a todos aqueles que realizam ataques que interrompam as ações porque seus líderes já se entregaram e concordaram em tentar a reconciliação nacional", declarou Panitan.

Os manifestantes também incendiaram a sede de um canal de televisão, o Channel 3, dentro da qual estavam 100 pessoas, segundo os bombeiros.

Panitan anunciou ainda que o governo determinou a todas as emissoras de televisão que exibissem programas especiais.

Uma visão geral mostra fumaça no horizonte de Bangcoc. Grupos
isolados ligados aos ‘camisas vermelhas’ seguem protestando e
espalhando o terror pela cidade.
Uma visão geral mostra fumaça no horizonte de Bangcoc. Grupos isolados ligados aos camisas vermelhas seguem protestando e espalhando o terror pela cidade (Foto: Manan Vatsyayana/AFP Photo)

Os jornais "The Nation" e "Bangcoc Post", os dois de maior circulação em língua inglesa, esvaziaram suas sedes, diante do risco de se tornarem alvo de ataques por parte dos manifestantes opositores, pois grupos isolados seguem provocando incidentes.

Os camisas vermelhas, a maioria de origem pobre, iniciaram o movimento em meados de março para exigir a renúncia do premiê e a convocação de eleições legislativas antecipadas.Eles consideram o governo ilegítimo e apoiam o ex-premiê Thaksin Shinawatra, que deixou o país após um golpe de Estado em 2006. Apenas na semana passada, os confrontos haviam feiro pelo menos 37 mortos e mais de 100 feridos.