11.03.2010
ico Dilma apresenta-se como opção contra enchentes e mudanças na economia
08/02/2010 - Dilma apresenta-se como opção contra enchentes e mudanças na economia

BRASÍLIA - A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República, valeu-se ontem, de uma só vez, dois temas delicados para seu provável principal adversário na disputa pelo Palácio do Planalto, o governador paulista, José Serra (PSDB): as enchentes, que desde dezembro já mataram mais de 70 pessoas no Estado de São Paulo; e as mudanças no rumo da economia.

As enchentes surgiram pela primeira vez como argumento eleitoral para atacar o PSDB, no contexto da comparação entre os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que os petistas querem impor à campanha deste ano.

" Comparar não é olhar no retrovisor, é escolher que caminho seguir. É importante saber se vamos fazer obras de saneamento ou não. O que se fazia antes de 2003? Muito pouco. Antes se privilegiava apenas uma parte da população. Se não fosse assim, como se explica quando quem morre em alagamentos e desmoronamentos sejam os setores mais populares? Como vai resolver a enchente se não investe em drenagem? Pode ser que não aconteça em 5, 10, 20, 50 anos, mas um dia acontece. Não vai ser possível não comparar essas situações " , afirmou, durante encontro da Juventude do PT, em Brasília.

O viés de confronto com a oposição permeou todo o discurso da ministra, que respondeu as críticas de FHC, publicadas ontem em um artigo nos jornais " O Globo " e " O Estado de S. Paulo " , no qual ele ataca a estratégia petista de fazer uma campanha comparativa entre os governos Lula e FHC. " Se o lulismo quiser comparar, sem mentir e sem descontextualizar, a briga é boa. Nada a temer " , escreveu o ex-presidente. A ministra também comparou a área educacional, no que se refere a investimentos em escolas técnicas e nas universidades federais.

Em relação à economia, Dilma comprometeu-se, ontem, a seguir os preceitos da Carta ao Povo Brasileiro, documento que precedeu as eleições de 2002 em que o PT garantiu que, se vencedor, cumpriria os contratos e preservaria os fundamentos macro-econômicos. Ela lembrou que o governo Lula manteve os princípios da carta e que não há qualquer risco de alteração na política econômica no caso da candidatura governista ser vitoriosa nas eleições deste ano. Insinuou que o risco de alterações está na candidatura de Serra. " Aliás, não somos nós que estamos falando em mudar a economia " .

Apresentada ao país em junho de 2002, a " Carta " foi um documento produzido pela direção da campanha eleitoral do então candidato Lula. Seu objetivo era tranquilizar os empresários e o mercado, que se encontrava com elevada instabilidade diante da possibilidade de vitória do petista nas eleições daquele ano. O texto falava em manter o equilíbrio fiscal, respeitar contratos, preservar o superávit primário e assegurar o controle da inflação.

Questionada ontem se haveria a necessidade de elaborar uma nova " Carta " para responder aos críticos que apontam a possibilidade de uma maior presença estatal na economia no caso de vitória petista em outubro, ela disse que isso não será preciso, vez que a " Carta " de 2002 foi consolidada com sucesso durante os últimos oito anos.

" A ´Carta´ está bem implementada em nosso governo. Está aí nos U$ 242 bilhões de reservas internacionais, no controle da inflação, de política fiscal responsável. Está absolutamente implementada. Essa é uma tentativa (de discurso) que não pega " , afirmou, antes de discursar para cerca de 500 jovens durante um encontro da Juventude do PT, em Brasília.

A ministra comentou a convenção do PMDB de anteontem, que reelegeu o presidente da Câmara, Michel Temer (SP), presidente do partido, aumentando as chances de ele ser indicado seu vice na chapa governista. Na convenção, as lideranças pemedebistas avocaram para si a responsabilidade pelos programas sociais implementados pelo governo federal. " O PMDB é absolutamente confiável. A gente incentiva que todos os integrantes tomem para si as políticas sociais do governo. Conseguimos fazer um governo em que as pessoas assumam as coisas como suas " .

Dilma foi recebida pelos jovens petistas aos gritos de " presidenta " . Subiu ao palanque ao lado do presidente do PT, José Eduardo Dutra, e do ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e fez discurso com forte tom eleitoral. Atacou a oposição, sempre comparando a era Lula com a de FHC. Ao final, convocou os presentes à campanha. " Espero contar com a juventude para que o projeto de continuidade do governo Lula seja vitorioso em 2010. Tenho certeza de que esta força vai mais uma vez levar o PT e seus aliados à vitória " .

 

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